Escaras em Idosos: Como Prevenir, Identificar e Cuidar

Conteúdo atualizado: Este artigo foi revisado e atualizado em , com orientações mais claras sobre prevenção, identificação e cuidados com lesões por pressão em idosos.

As escaras, atualmente chamadas de lesões por pressão, podem surgir quando uma região do corpo permanece pressionada contra a cama, cadeira ou outro apoio durante muito tempo. Elas são mais frequentes em idosos acamados, pessoas com mobilidade reduzida ou que precisam de ajuda para mudar de posição.

A prevenção envolve mais do que usar uma pomada ou um colchão especial. É necessário observar a pele regularmente, reduzir a pressão nas áreas vulneráveis, controlar a umidade, cuidar da alimentação e definir uma rotina de mudança de posição de acordo com as necessidades da pessoa.

Uma vermelhidão que não desaparece após aliviar a pressão já merece atenção. Bolhas, feridas abertas, pele escurecida, secreção, mau cheiro, febre ou aumento da dor precisam de avaliação profissional. Neste guia, você entenderá como prevenir, reconhecer os primeiros sinais e procurar o cuidado adequado sem recorrer a tratamentos improvisados.

Resumo rápido: como prevenir escaras em idosos

  • Observe diariamente a pele, especialmente calcanhares, quadris, tornozelos, cotovelos, ombros e região do sacro.
  • Ajude a pessoa a mudar de posição conforme um plano individualizado pela equipe de saúde.
  • Mantenha a pele limpa e seca, controlando a umidade causada por suor, urina ou fezes.
  • Não massageie áreas avermelhadas nem aplique produtos sobre feridas abertas sem orientação profissional.
  • Utilize colchões e almofadas de redistribuição de pressão quando forem indicados para aquela pessoa.
  • Cuide da hidratação e da alimentação, principalmente quando houver perda de peso ou dificuldade para comer.
  • Procure atendimento se a vermelhidão não desaparecer, se houver bolha, ferida, secreção, mau cheiro, febre ou piora da dor.

O que são escaras ou lesões por pressão?

Escara é o nome popular da lesão por pressão, um dano que pode atingir a pele e os tecidos abaixo dela. Geralmente surge sobre regiões ósseas quando existe pressão intensa ou prolongada, isoladamente ou combinada com o deslizamento do corpo sobre a cama ou cadeira.

Calcanhares, sacro, quadris, tornozelos, cotovelos e parte posterior da cabeça estão entre os locais mais vulneráveis. A lesão também pode aparecer sob dispositivos médicos, como máscaras, sondas, talas e tubos.

O primeiro sinal pode ser uma área avermelhada que não clareia quando pressionada, mas a aparência varia conforme o tom da pele. Também podem surgir alteração de temperatura, endurecimento, dor, bolha, pele arroxeada ou ferida aberta.

Umidade, incontinência e atrito podem danificar a pele e aumentar sua vulnerabilidade, mas nem toda irritação causada por fralda ou umidade é uma lesão por pressão. A avaliação correta é importante para definir o cuidado adequado.

As orientações da Anvisa para prevenção de lesões por pressão reforçam a necessidade de avaliar o risco, inspecionar a pele e adotar medidas preventivas individualizadas.

Quem apresenta maior risco de desenvolver escaras?

O risco é maior quando a pessoa não consegue mudar de posição sozinha ou permanece muito tempo na cama ou na cadeira. Outros fatores também precisam ser considerados:

  • mobilidade reduzida ou ausência de movimentos;
  • perda de sensibilidade;
  • idade avançada e pele mais frágil;
  • incontinência e exposição frequente à umidade;
  • dificuldade para se alimentar ou beber líquidos;
  • baixo peso, perda recente de peso ou desnutrição;
  • problemas de circulação;
  • diabetes e outras doenças que dificultam a cicatrização;
  • uso de sondas, máscaras, talas ou outros dispositivos;
  • histórico anterior de lesão por pressão.

A presença de um ou mais fatores não significa que a pessoa desenvolverá uma ferida, mas indica que a pele e o posicionamento precisam ser observados com mais atenção.

Se já existe uma alteração na pele, consulte também o guia sobre como identificar e classificar uma lesão por pressão.

Cuidadora observa a pele íntegra do calcanhar de uma idosa para identificar sinais de pressão
A observação diária da pele ajuda a identificar alterações antes que a lesão se agrave.

Como prevenir escaras em idosos?

A prevenção precisa combinar diferentes cuidados. Nenhuma pomada, curativo, almofada ou colchão consegue evitar sozinho uma lesão por pressão.

Observe a pele todos os dias

Examine principalmente calcanhares, tornozelos, quadris, sacro, cotovelos, ombros e parte posterior da cabeça. Verifique também a pele que fica em contato com fraldas, sondas, máscaras ou outros dispositivos.

Procure alterações de cor, temperatura, consistência, sensibilidade ou dor. Em peles mais escuras, a lesão inicial pode parecer arroxeada, azulada ou mais escura, sem apresentar uma vermelhidão evidente.

Ajude a pessoa a mudar de posição

A frequência das mudanças deve considerar a mobilidade, o estado da pele, o conforto, as condições clínicas e a superfície utilizada. Portanto, a regra de mudar obrigatoriamente a cada duas horas não serve igualmente para todas as pessoas.

Um profissional de saúde pode definir um plano seguro para alternar as posições e proteger as regiões vulneráveis. Não arraste a pessoa sobre o lençol, pois isso aumenta a fricção e o deslizamento da pele.

Idoso deitado de lado com travesseiros de apoio para reduzir a pressão em áreas vulneráveis
O posicionamento deve ser individualizado conforme a mobilidade, o conforto, a pele e as condições de saúde da pessoa.

Mantenha a pele limpa, seca e hidratada

Limpe a pele delicadamente após episódios de suor, urina ou fezes. Utilize produtos suaves e seque sem esfregar.

Cremes-barreira podem ajudar a proteger a pele íntegra contra a umidade quando há incontinência. Eles não retiram a pressão e não devem ser aplicados sobre feridas abertas sem orientação. Veja quais são os cuidados necessários no guia sobre pomadas e cremes para prevenção de escaras.

Utilize uma superfície de apoio adequada

Colchões e almofadas desenvolvidos para redistribuir a pressão podem ser úteis para pessoas acamadas ou com mobilidade reduzida. A escolha deve considerar o risco, o peso, a mobilidade, a condição da pele e as orientações da equipe de saúde.

Esses recursos complementam os cuidados, mas não eliminam a necessidade de observar a pele e reposicionar a pessoa. Entenda como funciona o colchão pneumático anti-escaras e quando ele pode ser considerado.

Evite utilizar almofadas em formato de anel diretamente sob áreas vulneráveis, pois elas podem concentrar a pressão nas bordas.

Cuide da alimentação e da hidratação

Perda de peso, baixo consumo de alimentos, desidratação e dificuldade para engolir devem ser avaliados por profissionais de saúde. Não ofereça suplementos apenas com a intenção de cicatrizar uma ferida sem verificar as necessidades da pessoa.

O que fazer quando a escara já apareceu?

Ao perceber vermelhidão persistente, bolha, pele escurecida ou ferida aberta, retire a pressão da região e procure avaliação de um profissional de saúde. Quanto mais cedo a alteração for examinada, maior será a possibilidade de evitar seu agravamento.

Enquanto aguarda orientação:

  • não deixe a pessoa apoiada diretamente sobre a área afetada;
  • não massageie a região;
  • não estoure bolhas;
  • não retire tecidos ou crostas;
  • não utilize álcool, água oxigenada, receitas caseiras ou substâncias irritantes;
  • não aplique pomadas ou curativos escolhidos apenas pela aparência da ferida.

O tratamento depende da profundidade, localização, quantidade de secreção, presença de tecido desvitalizado, sinais de infecção e condições gerais da pessoa. Por isso, duas feridas aparentemente parecidas podem precisar de cuidados diferentes.

Para entender os primeiros cuidados e o que realmente influencia a recuperação, leia como cuidar de escaras em idosos e quando procurar ajuda.

Como os curativos são escolhidos?

Não existe um único curativo que seja o melhor para todas as escaras. A cobertura pode variar conforme o tecido presente, a quantidade de secreção, a pele ao redor, a profundidade e a existência ou suspeita de infecção.

Hidrogel, espuma, hidrocoloide, alginato e coberturas com componentes antimicrobianos possuem indicações e limitações diferentes. A escolha inadequada pode manter umidade em excesso, ressecar a ferida ou atrasar a procura por atendimento.

Conheça as diferenças no guia sobre tipos de curativos para escaras e critérios de escolha.

Quando procurar atendimento rapidamente?

Procure uma unidade de saúde quando houver:

  • ferida aberta ou profunda;
  • pele escura, arroxeada ou enegrecida;
  • secreção, pus ou mau cheiro;
  • aumento da vermelhidão, inchaço, calor ou dor;
  • febre, calafrios, sonolência ou confusão;
  • piora rápida da lesão;
  • exposição de tecidos mais profundos;
  • diabetes, circulação comprometida ou baixa imunidade;
  • dificuldade para retirar a pressão da região afetada.

Em pessoas idosas, uma infecção pode evoluir sem sintomas muito evidentes. Em caso de dúvida ou piora do estado geral, procure atendimento.

Perguntas frequentes sobre escaras em idosos

Qual é o primeiro sinal de uma escara?

O primeiro sinal pode ser uma área avermelhada ou com mudança de cor que não desaparece após retirar a pressão. Também podem surgir calor, endurecimento, dor ou alteração da sensibilidade no local.

Pomada pode prevenir escaras?

Cremes-barreira podem proteger a pele íntegra contra a umidade causada por urina, fezes ou suor. Porém, nenhuma pomada retira a pressão do corpo nem previne sozinha uma lesão por pressão.

É necessário mudar a posição do idoso a cada duas horas?

Não existe um intervalo único adequado para todas as pessoas. A frequência deve considerar a mobilidade, o estado da pele, o conforto, as condições clínicas e a superfície de apoio utilizada.

Colchão pneumático evita escaras?

O colchão pneumático pode ajudar a redistribuir a pressão quando corretamente indicado e utilizado. Contudo, ele não substitui a observação da pele, as mudanças de posição e os demais cuidados preventivos.

Quando uma escara precisa de avaliação profissional?

Vermelhidão persistente, bolha, ferida aberta, pele escurecida, secreção, mau cheiro, aumento da dor, febre ou piora do estado geral precisam de avaliação profissional. Feridas profundas ou sinais de infecção exigem atendimento rápido.

Conclusão

As escaras não são apenas feridas na superfície da pele. Elas podem atingir tecidos profundos e provocar complicações, principalmente em pessoas idosas, acamadas ou com mobilidade reduzida.

A prevenção combina observação diária da pele, redução da pressão, mudanças de posição individualizadas, controle da umidade, alimentação adequada e uso correto das superfícies de apoio. Nenhum colchão, pomada ou curativo substitui esse conjunto de cuidados.

Se já existe uma alteração na pele, não espere a ferida aumentar para procurar orientação. A avaliação precoce ajuda a identificar o tipo de lesão, definir o cuidado adequado e reduzir o risco de complicações.

Continue aprendendo sobre prevenção e cuidados

Se uma superfície de redistribuição de pressão já foi recomendada, veja também o comparativo dos melhores colchões pneumáticos anti-escaras.

Fontes consultadas

Aviso importante: Este conteúdo possui finalidade informativa e não substitui a avaliação, o diagnóstico ou o tratamento realizado por médicos, enfermeiros ou outros profissionais habilitados.

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